Com certeza o natal é a data comemorativa mais significativa para os cristãos, quer sejam eles membros de igreja evangélica ou não. As coisas ficam diferentes, a vida se descortina em novas cores, desperta-se em nós o desejo de presentear e de ser mais fraterno. Olhamos com mais carinho para os menos favorecidos e até evangelizamos mais. Anúncios comerciais na televisão usam hinos de natal conhecidos como fundo musical. Até o comércio parece que fica mais crente. O natal causa impacto.
Impactantes também são os absurdos do natal que somente pela fé podemos aceitar.
O primeiro deles está no fato de Deus se fazer homem. A este absurdo a teologia chama de encarnação do verbo: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”. Deus se permitiu limitar. O Eterno se temporalizou, o Onipotente se submeteu, o Onipresente tornou-se presente no tempo e no espaço da vida humana. Aquele que era servido por anjos no céu veio servir ao Pai aqui na terra. Aquele que era rico se fez pobre por amor de nós… Enfim, deixou Sua glória no céu e fez-se homem na terra. Humilhou-se por amor!
O segundo absurdo do natal está no fato de uma virgem dar a luz. Em tempos modernos existe esta possibilidade com a fertilização “in vitro”. Mas, ainda assim, é necessária a união dos dois gametas, o masculino e o feminino. No caso de Jesus, a Bíblia diz que sua concepção foi obra do Espírito Santo no ventre de Maria e que ela não conheceu homem algum para acontecer aquela gametogênese. O resultado dessa gravidez foi a origem de um homem perfeito e santo.
O terceiro absurdo do natal é o Reino do Rei Jesus. Por palácio recebeu a gruta, por berço, o cocho. O rei chegou, mas, não havia lugar para ele na hospedaria. Aliás, quase ninguém se deu conta da sua chegada. Os pastores foram avisados pelos anjos e ao que parece, a celebração daquele dia foi mais no céu do que na terra. E aquele Rei disse que seu reino não era desse mundo e rejeitou os pretensos discípulos que não estavam preparados para rejeição e sofrimento. Seu grupo de súditos mais leais era um bando de galileus iletrados e ignorantes (segundo disse o Sinédrio). O poder deste reino não estava na força, mas no amor sacrificial.
O quarto absurdo do natal está na atitude contraditória dos homens. O rei é amado e odiado; aceito e rejeitado; respeitado e cruelmente ofendido. Mas, o interessante é que o Onipotente deixou-se humilhar. Aquele que tinha legiões ao seu dispor, sofreu calado como ovelha muda perante o tosquiador. E apesar do cruel castigo que o moeu na cruz, não amaldiçoou, mas antes, perdoou. Ao pé da cruz houve quem chorasse e houve quem se regozijasse com tamanho sofrimento.
Longe de esgotar todos os absurdos do natal, ainda há outro que quero mencionar: Um morto ressuscitar. Em tempos modernos também se pode ressuscitar alguém alguns minutos após o coração parar de bater. Mas, Jesus ressuscitou três dias depois de sua morte. O túmulo se abriu e os olhos, mentes e corações dos discípulos também. Com certeza foi o maior absurdo de todos, mas foi o mais significativo também. Por causa disso, quem crer de todo o coração vivencia natal no seu próprio coração. Este natal do coração nos torna mais que vencedores no Seu amor. Há uma luz brilhando mais forte que as luzes nos pinheiros: é a verdadeira luz que vinda ao mundo ilumina os homens a quem Deus quer salvar.